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A Mulher na Engenharia: Desafios e Conquistas

O dia internacional da mulher foi criado após muitas lutas e reivindicações em todo o mundo, em busca de melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos. A data é marcada, nos dias de hoje, por conferências, debates e outros diversos eventos com o intuito de analisar e reconhecer o papel da mulher atualmente frente à sociedade.

Dessa forma, o dia 8 de março faz-se extremamente importante para a valorização e o crescimento da representatividade feminina, ainda baixa, em diferentes aspectos da sociedade. Isso não é diferente para as mulheres na engenharia. Estas são, ainda hoje, minoria, principalmente em cargos de liderança, tornando-se essenciais as mudanças e avanços para que possam fazê-las  conquistarem cada vez mais espaço.

Os desafios da mulher na engenharia

A mulher engenheira enfrenta dificuldades a partir do momento que ingressa na universidade até sua introdução e consumação no mercado de trabalho.

As estudantes de engenharia são minoria nos cursos ofertados, representando, em geral, apenas 30% dos matriculados. Essa baixa adesão nos cursos de engenharia pode ser explicada pelo fato de que as mulheres são desencorajadas à cursá-los desde cedo, seja direta ou indiretamente.

Ao analisar-se o mercado é possível concluir que ainda hoje grande parte das engenheiras recebem salários mais baixos que homens na mesma função. Muitas sofrem assédios no âmbito acadêmico e profissional, têm baixa credibilidade em seus discursos e ações, mesmo quando em cargos de autoridade e são julgadas previamente pelo seu vestuário. Além disso, não é incomum se depararem com vagas ofertadas diretamente ao sexo masculino, comprovando a baixa abertura das empresas às engenheiras. Tais fatores desestimulam a entrada das mulheres nestes cursos e no mercado de trabalho, mesmo após conclusão.

Engenheiros por Sexo

Fonte: FNE

O que elas dizem

As frequentes dificuldades a que as mulheres são impostas podem ser responsáveis por diminuir a autoestima de várias mulheres na engenharia. Mesmo quando muito capacitadas e altamente indicadas para ocuparem cargos de autoridade, podem não acreditar em seu potencial por terem sido induzidas a isso pela sociedade.

Segundo Maria Teresa Menezes, Diretora de Marketing da EMAS, seu maior desafio foi em sua primeira gerência. Ela diz que não tinha autoconfiança para tomar decisões e ter pulso firme. Tornou-se uma melhor líder após se envolver em mais cargos de autoridade. A percepção dela é de que, em geral, as mulheres não são criadas para comandarem, principalmente, homens.

Marina Gouvea, Coordenadora de Ambiental da EMAS, também afirma que o mais difícil foi conquistar a confiança das pessoas e, inclusive, dela mesma. Marina acredita que a habilidade de compreender e sentir o time tem grande papel no sucesso de uma liderança e que bons líderes possuem essa característica, independentemente de seu gênero.

Para Mariana Henriques, ex-presidente da EMAS, a engenharia é um curso que exige grande racionalidade para criar soluções e existe uma crença inconsciente da sociedade de que as mulheres agem com o lado emocional e por isso não têm capacidade de tomar decisões. Para ela é comum no mercado de trabalho que muitas tenham que agir de maneira não condizente com suas personalidades para atraírem confiança.

Remuneração Mulheres Engenheiras

Fonte: FNE

As conquistas da mulher na engenharia

Apesar dos obstáculos enfrentados, é notável que ao longo dos anos a situação têm melhorado para as engenheiras brasileiras, resultado de uma maior mobilização e engajamento destas.

Segundo dados da pesquisa “Perfil Ocupacional dos Profissionais da Engenharia no Brasil” realizada pelo Dieese, de 2003 à 2013 a porcentagem de mulheres engenheiras empregadas no Brasil cresceu 4%. Além disso, no mesmo período, o salário médio das engenheiras subiu de 70,3% para 79% em relação ao pago aos homens da mesma profissão. Apesar de ainda não ter sido atingida real igualdade, percebe-se que as diferenças estão pouco a pouco diminuindo.

A Escola de Engenharia da UFMG, antes mesmo de possuir tal nome, contribuiu muito nessas conquistas. Em 1922, formou-se a primeira engenheira de Minas Gerais, Iracema Brasiliense, pela Escola de Engenharia de Belo Horizonte, que se destacou no setor de cartografia de Minas Gerais. Já em 1946, formou-se Beatriz Alvarenga, a única engenheira civil da Universidade de Minas Gerais (UMG). Beatriz escreveu o mundialmente conhecido livro Curso de Física, que tem sido utilizado há quase 40 anos.

Três Engenheiros

Créditos: Freepik

Desde então, muitas mulheres passaram pelos cursos de engenharia da UFMG e tiveram papéis de grande destaque dentro e fora da universidade, demonstrando o poder da liderança feminina seja nos grêmios, nas equipes de competição, nas empresas juniores e seniores, nas chefias de departamentos e reitoria, entre outros.

Maria Teresa, que está em seu terceiro cargo de liderança na EMAS diz que a empresa lhe proporcionou diversas oportunidades de comando que acredita que não teria em outros locais. Segundo ela, quando a mulher “ousa sair do comum, ousa ter cargos de liderança, é sensacional”.

Samara Paganini, a primeira e atual diretora da recém-criada Diretoria Comercial da EMAS, lidera uma equipe com sete homens. Ela afirma que é desafiada todos os dias a melhorar e a transmitir confiança, tanto para homens quanto para mulheres, “permitindo que o equilíbrio paire sobre a diretoria e sobre o ambiente empresarial”. Samara concorda e enfatiza que a participação da mulher em cargos de liderança, onde o meio diz o contrário, é mais que necessária.

À caminho da igualdade de gênero

A tendência mundial é de que as mulheres sejam cada vez mais reconhecidas e representadas nos diversos âmbitos sociais. É extremamente necessário que a presença feminina na engenharia siga este caminho para que se possa alcançar a plena igualdade de gênero. O mercado de trabalho e, consequentemente, o país só têm a ganhar com uma maior capacitação e valorização da mulher na engenharia.

Engenheira

Créditos: Freepik

Segundo Mariana, se propor a tomar cargos de liderança deve ser uma ação comum para qualquer ser humano. Nesse sentido a EMAS acredita muito no desenvolvimento profissional das mulheres na UFMG. Não é à toa que suas últimas três presidências foram femininas. A empresa busca sempre incentivar suas figuras femininas a se desenvolverem e se tornarem grandes influências.

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By | 2018-04-10T18:11:57+00:00 8 de março, 2018|Mercado de Trabalho, Mudanças|0 Comentários

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Bruna Vieira

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