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Efluentes não-domésticos: Por que seu descarte deve ser diferente?

A maioria dos estabelecimentos existentes no mundo geram os chamados “efluentes”, ou seja, resíduos em forma líquida (ou até gasosa) originados pelo descarte de materiais provindos de atividades humanas, geralmente esgotos ou coletas das redes de drenagem pluvial. Estes efluentes são separados em diversas categorias dependendo de suas características, necessitando, então, de despejos diferenciados de acordo com os resíduos e materiais nele presentes. Assim, é necessário ter cautela com sua destinação e tratamento, sobretudo quando se trata de efluentes não-domésticos.

Fábrica e efluentes

       Créditos: Freepik


O que é um efluente não-doméstico? 

Antes de tudo, vale esclarecer que a definição “efluente não-doméstico” abrange, além do efluente industrial (ou esgoto), qualquer resíduo líquido proveniente da utilização de água para fins que extrapolam a cozinha e sanitários. Portanto, mesmo que você não tenha um estabelecimento enquadrado como indústria, o processo empregado pode gerar efluente não-doméstico.

Lavar o carro cartoon Vetor grátis

Para ficar mais palpável, eis aqui alguns exemplos: Industria têxtil, indústria alimentícia, indústria de papel e celulose, siderurgia, mineradora… Todas estas são de grande porte. Mas um lava-jato também gera efluente não-doméstico: muito sabão. Uma oficina mecânica, ao fazer lavagem das peças lubrificadas, descarta óleo misturado na água. O mesmo vale para postos de gasolina. Os laboratórios de análise química ou clínica e hospitais também, e assim por diante.

Mas o que esses efluentes podem causar? 

Crédito: Freepik

Cada tipo de estabelecimento gera seu efluente com sua particularidade. Particularidade esta que pode ser nociva à saúde humana e ao meio ambiente, causar danos às tubulações e ao sistema coletor, como o efluente de laboratórios, por exemplo. Nele, há produtos químicos tóxicos e corrosivos cujo tratamento convencional de esgoto não remove. Sendo assim, apresenta riscos àqueles que entram em contato ou ingerem o líquido.

 

O óleo que saiu da lavagem do carro também é  exemplo de potencial poluidor das águas, pois fica na superfície e impede que o sol penetre, prejudicando o desenvolvimento das plantas. Nas tubulações comuns de esgoto, ele pode também  se aglomerar na parede dos tubos atrapalhando a passagem do líquido.

Produtos Químicos

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Importante destacar que, no caso dos laboratórios e hospitais, além do efluente necessitar de cuidado especial, os resíduos sólidos também precisam de um gerenciamento diferenciado, pois ambos estão contaminados. Para ter um entendimento melhor sobre isso, recomenda-se ler esse texto sobre os benefícios do gerenciamento de resíduos de saúde.


E por que tratar estes efluentes?

É devido à essas particularidades que os efluentes não-domésticos devem passar por um tratamento prévio antes de serem descartados. Ele visa atender um padrão de tolerância para lançamento de efluentes, estabelecido pela Resolução CONAMA 430/2011. O padrão consiste em uma tabela de concentrações máximas que cada substância pode ter naquele líquido, para que a preservação à saúde e ao meio sejam garantidas.

O tratamento correto também ajuda a evitar corrosão e a incrustação nas tubulações do seu estabelecimento uma vez que os tubos não foram fabricados para resistir ao contato com produtos químicos corrosivos ou aglomeração de óleo. Além disso, num cenário de escassez hídrica, o despejo de efluentes não-domésticos na rede (sem tratamento prévio) é grave e ilegal, pois contribui massivamente para poluição e dificulta o tratamento adequado.

Mas como regularizar o meu esgoto?

Observando essa problemática, a companhia de saneamento (COPASA) criou o Programa de Recebimento e Controle de Efluentes Não Domésticos, o PRECEND. O programa tem o intuito de regularizar estes estabelecimentos ao atender as exigências ambientais dos padrões de lançamentos de efluentes, já mencionadas anteriormente. Ele é articulado via inspeções e solicitações de alvará, de forma que o proprietário deve apresentar o projeto técnico para a companhia, contendo o tratamento que realiza e outras informações.

No caso dos pequenos comércios e serviços, não há necessidade de um tratamento elaborado dos efluentes. Na maioria das vezes uma caixa de gordura, um gradeamento ou adição de produtos para neutralizar o PH basta. Isso porque o volume de efluente não é grande como nas indústrias, portanto não requere uma estação de tratamento grande. Mas, ainda assim, é preciso que estes se regularizem quanto à companhia de saneamento, recorrendo à profissionais competentes, geralmente engenheiros, fazer a análise e projetos necessários.

Homem com prancheta

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Ao entender a importância de tratar seu efluente não-doméstico antes de descartá-lo, principalmente pelo risco que apresenta, tanto ao meio onde vivemos quanto à você, proprietário do estabelecimento, melhor providenciar sua adequação! Isso porque, caso esteja irregular, no desenrolar de uma inspeção, você pode ser autuado e sofrer sanção, conforme a Resolução ARSAE 040/2013.

Quer saber mais sobre o assunto? Possui alguma dúvida? Entre em contato conosco! Estaremos felizes em ajudar!

By | 2018-04-10T18:11:57+00:00 Fevereiro 18th, 2018|PRECEND, Projetos, Regularização, Resíduos|0 Comentários

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Marina Gouvea

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