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Descarte Certo: entenda como um negócio pode lucrar com seus resíduos

A expressão “jogar o lixo fora” é uma premissa da qual todos fomos criados. Somado a isso, temos a ideia de que lixo é entulho, tudo aquilo que não presta, coisa inútil, sujeira, imundície. Mas será mesmo que o lixo não tem nada mais a nos agregar?

Já estamos passando por um período de escassez de matéria prima, em que o mundo já não suporta adequadamente sua população. Além disso, devido ao intenso consumo, não há mais tantos lugares para a disposição final do lixo. Sendo assim, buscar outra destinação para um resíduo sem que este seja descartado, além de gerar um impacto ambiental positivo, pode se converter em lucro para o estabelecimento.

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Crédito: Freepik

 

O lucro na prática

Um dos maiores exemplos de lucro com resíduos sólidos atualmente é a União Europeia. Esse setor emprega mais de 2 milhões de pessoas e rende mais de 145 milhões de euros por ano, sendo esse valor correspondente a 1% do PIB do bloco, que conta com 28 países.

Por mais que o Brasil ainda não tenha essa cultura de reaproveitamento de resíduos, já existem diversas práticas que estão sendo executadas por alguns empreendedores. No interior de São Paulo, por exemplo, na região do Socorro, o Hotel Fazenda Portal do Sol construiu um Centro de Triagem, local destinado para a separação de alguns tipos de resíduos, sendo esses: alumínio, plástico, papelão/papel, aço, sucata e vidro.

Após a separação, esses materiais são destinados para empresas especializadas em reciclagem, podendo alguns até mesmo ser vendidos. Esse hotel, com capacidade para 150 hóspedes/dia, reciclou em um ano oito toneladas de resíduos. Ou seja, oito toneladas de lixo que seriam encaminhados ao aterro sanitário, foram transformadas em renda, tanto para os trabalhadores, com empregabilidade e benefícios, quanto para os empreendedores, visto que o hotel está tendo grande exposição na mídia devido estas ações sustentáveis.

Crédito: Freepik

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Um outro exemplo é o empreendimento Mavsa Resort Convention & Spa, situado em Cesário Lange, também no estado de São Paulo. O manejo adequado de resíduos do estabelecimento resultou em uma diminuição de quase 50% dos resíduos gerados, passando de uma geração de 19 para 9 toneladas mensalmente. Essa redução resultou em uma diminuição de despesas e, por consequência, elevou a margem de lucratividade do hotel.

Além do mais, diversos hotéis pelo país cobram preços mais elevados quando adotam sistemas de gestão ambiental. Ao mesmo tempo em que reduzem custos, eles ampliam seu lucro cobrando mais pelos serviços ambientais prestados.

 

Outras vantagens

A busca por uma disposição final que não seja o descarte não deve ser encarada como uma despesa extra para os empreendimentos, mas sim, como uma forma de investimento para aprimorar a infraestrutura desses locais. Para comprovar isso, há algumas vantagens muito valiosas ao se adotar essa prática.

  • Simpatia do público

O que se tem percebido ultimamente é a crescente preocupação dos consumidores a respeito da sustentabilidade. Há maior discernimento quanto às suas escolhas, dando prioridade a empresas que adotam medidas socioambientalmente corretas.

Em outras palavras, empresas que implementam mudanças em sua estrutura corporativa, abraçando a temática ambiental como ponto importante de sua estratégia de negócio, estão ganhando mais credibilidade com uma parcela considerável de clientes, que tem preferência por empresas que possuem sintonia com seus valores.

  • Melhor reputação no mercado

Do mesmo modo que o empreendimento ganha pontos com seus clientes, as práticas ambientais também proporcionam uma melhoria significativa de sua reputação diante do mercado, tendo maior facilidade em se fazer negócios mais estratégicos, além da exposição do seu conceito de sustentabilidade por meio de ações de marketing social.

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  • Geração de receitas

Essa vantagem vem de encontro com os as práticas exercidas pelos exemplos de empreendimentos brasileiros apresentados anteriormente. A correta destinação dos resíduos, além de gerar receita com a venda desses, implica na diminuição do desperdício do estabelecimento, reduzindo suas despesas e aumentando sua lucratividade.

 

Mas o que fazer com os resíduos gerados?

Para auxiliar nessa questão é importante analisar alguns parâmetros, como a legislação brasileira – principalmente a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, Lei 12305/2010. Esta define que a destinação final ambientalmente adequada de resíduos sólidos engloba o conjunto de processos que são definidos por uma ordem de prioridade, que vão desde a reutilização até a disposição final, sendo eles:

  • Não geração;
  • Redução;
  • Reutilização;
  • Reciclagem;
  • Tratamento dos resíduos sólidos;
  • Disposição final adequada.

Cabe aos empreendimentos a preocupação com as 4 primeiras prioridades, evitando ao máximo que o resíduo gerado passe para os dois últimos processos.

  • Não geração

É muito comum usarmos algo sem necessidade. Temos que ter a consciência de que se não há uso, não há gasto. Uma das maneiras mais efetivas de não geração de resíduos é o investimento na eficiência, a qual é a habilidade de fazer a melhor utilização de algo gastando o mínimo possível.

Isso pode ser aplicado ao consumo de energia elétrica, matéria prima, acessórios, entre outros. Assim, é possível perceber que este conceito está veiculado à eficiência em toda a cadeia produtiva e de serviços com o uso de tecnologias inovadoras.

 

  • Redução

Esgotados os métodos da não geração, o próximo passo é tentar reduzir ao máximo a geração de resíduos. Essa metodologia se baseia, principalmente, na criação de novos serviços e/ou produtos que possuem tarefas semelhantes, porém com maior eficiência. Um exemplo é a substituição de descartáveis por reutilizáveis, como copos, talheres, luvas e sacolas plásticas.

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  • Reutilização

A reutilização de resíduos sólidos tem a finalidade de prolongar a vida útil de um produto no mercado. Esses materiais podem ser utilizados novamente com a mesma ou outra finalidade.

Exemplos disso é o reuso de toalhas e de roupas de cama em um hotel (podendo ser trocados a cada 3 dias de um mesmo hóspede); aproveitamento de sobras de alimentos que não foram utilizados no preparo das refeições; tratamento natural de efluentes, como da água de lavagem; entre outros.

 

  • Reciclagem

Não sendo possível a execução dos processos citados anteriormente, a reciclagem é a última alternativa que o empreendimento tem de lucrar com seu resíduo.

A reciclagem é a reintrodução de resíduos sólidos no ciclo de produção. O que o diferencia da reutilização é que o resíduo reciclado precisa sofrer alterações em suas propriedades.

Materiais com potencial podem ser vendidos a associações de reciclagem, o que gera lucro e uma contribuição social aos catadores. Além disso, o próprio estabelecimento pode transformar o resíduo em outros insumos, como é o caso do óleo de cozinha que pode ser transformado em sabão em barra.

 

Entretanto, para que essa mudança seja realizada de maneira efetiva dentro de seu estabelecimento, todos os funcionários devem estar alinhados e comprometidos com esse propósito. Essas ações devem se transformar em uma cultura dentro de toda a equipe.

Por fim, precisamos entender a palavra “lixo” não mais como uma expressão pejorativa, e sim como um mecanismo de mudança no presente que repercutirá positivamente no futuro. Para melhorar essa desconstrução, podemos substituir o termo “lixo” por “resíduos”, que evidencia mais ainda que nem tudo o que geramos é uma rua sem saída em termos de utilidade e reutilização.

Quer entender mais sobre o assunto? Entre em contato conosco! No que pudermos lhe ajudar, faremos com o maior prazer!

By | 2017-11-10T15:32:35+00:00 outubro 22nd, 2017|Resíduos, Sem categoria|0 Comentários

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Devanil Pereira

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